Dízimo: fidelidade a Deus e à comunidade de fé

Em nossa Diocese o mês de novembro é dedicado ao Dízimo, com o tema: “Trazei o dízimo e vereis: Deus abrirá as portas do céu para vós” (Ml 3,10). Escolher um mês para dar ênfase a este compromisso com Deus e com a comunidade de fé nos remete à importância que o Dízimo tem para a evangelização. Alguns pontos centrais para entendermos a necessidade do Dízimo na vida da comunidade.
1 – Ter a consciência/convicção: “faço parte dessa comunidade, essa Paróquia Santuário é minha casa, é minha família, sou responsável por ela”; a Paróquia Santuário não é um problema do padre, do pároco, em todos os níveis inclusive o econômico.
2 – O dízimo é uma forma concreta de sentir-me responsável pela vida, estruturas e ação evangelizadora da Igreja.
3 – Como expressão de fé, de amor a Deus e ao próximo, o dízimo devolvido na comunidade cristã deve ser realizado em espírito de liberdade, gratuidade, generosidade e responsabilidade. “Deus ama a quem dá com alegria” (2 Cor 8,9)
4 – O dízimo não é uma invenção dos padres/bispos para “engordar” a conta bancária da Paróquia, tem uma fundamentação bíblica e pastoral:
4.1 – Para o povo judeu e para nós cristãos, a fonte originária da prática do dízimo é a Bíblia. Sua primeira menção encontra-se no livro do Gênesis, capítulo 14 – após vencer uma batalha no Vale dos Reis, Abraão ofereceu ao sacerdote Melquisedec a décima parte do espólio de guerra por Reconhecimento, Gratidão e Fé.
4.2 – O Livro do Deuteronômio, contém as orientações jurídicas que regulamentam a vida social do povo judeu, assim como, o Livro do Levítico, contém as orientações que regulamentam a vida religiosa deste povo (Lv 27 – 30).
4.3 – Os profetas não deixam o povo esquecer-se de seu compromisso com Deus e com os irmãos, que se dá através do dízimo: “Tragam o dízimo completo… Façam essa experiência comigo, diz o Senhor. Vocês hão de ver… se não derramo sobre vocês minhas bênçãos de fartura” (cf Mal 2, 8-10)
4.4 – No Novo Testamento Jesus, o Deus conosco, insere-se na história humana trazendo a Boa Notícia do Reino de Deus, que consiste em criar relações entre as pessoas e com o mundo. Jesus vem resgatar a essência da “lei” – “o que outrora estava escrito na pedra, está agora escrito em vossos corações…”
4.5 – Jesus é severo com os fariseus sobre o modo como pagavam os dízimos – a prática do dízimo não pode esquecer a misericórdia e a justiça – (Mt 23,23; Lc 11,42; Lc 18,12).
4.6 – A vida das primeiras comunidades cristãs se baseava em três aspectos importantes: Catequese – perseveravam no ensinamento dos Apóstolos; Eucaristia – viviam a fração do pão; Partilha – colocavam tudo em comum e não havia necessitados entre eles (At 2,42-44). Tudo contribuía para a edificação da vida comunitária no exercício da caridade, da partilha e da justiça.
Que cresça sempre em nós o desejo de construir e fortalecer uma Igreja Discípula e Missionária; que não poupemos esforços em dar maiores passos no fortalecimento sustentável para a Evangelização.
Que nossa ação concreta seja a de anunciar e testemunhar ainda mais a importância da nossa participação com o caminhar de nossa Igreja pela nossa partilha generosa do Dízimo.

Frei Carlos Alberto, OFMConv
Pároco Reitor do Santuário Senhor do Bonfim

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *