Os centenários da Ordem Franciscana:800 anos do Cântico das Criaturas e da morte de São Francisco

Caros leitores, chegamos ao final de um percurso. Refletimos sobre o Natal de Gréccio, expressão do desejo de São Francisco de contemplar a humildade do Deus menino que vem habitar entre nós. Depois, meditamos sobre os Estigmas, que são a exteriorização do profundo do Seráfico Pai, que, na sequência de se decidir livremente pelo Senhor, procurou doar toda a sua vida a Deus, à Igreja e às pessoas. Neste caminho, buscou corresponder Àquele que o chamava a um caminho de santidade e de entrega total. No fim de sua vida, Deus lhe concedeu a graça de até fisicamente ficar parecido com o Filho, Jesus.

Agora, tratamos sobre os 800 anos do Cântico das Criaturas (2025) e da morte de São Francisco (2026). Ao olhar para esse belo cântico, que se mostra como um convite a toda criação para o louvor do Deus Altíssimo, podemos pensar em um São Francisco andando pelos campos, dançando exultante, cantarolando e compondo. No entanto, o texto é composto por um São Francisco quase cego, cheio de dores e se aproximando cada vez mais da morte. Perguntamos: se não pode nem mais ver o sol e o fogo, que tanto lhe davam prazer verdadeiro, por que canta sua beleza, esplendor e força?

O Pobrezinho de Assis aprendeu que, mesmo não podendo ver mais o sol, devido a seu problema de saúde, ele não perde sua formosura, porque não é radiante porque pode ser visto ou usado, mas porque foi criado por Deus e é como imagem do esplendor deste Senhor que cuida de Sua criação. Há a também estrofe sobre os que suportam tribulações e perdoam por amor. Lembremo-nos de que o autor (São Francisco) está sofrendo um monte de tribulações! Porém, ele tem confiança que Deus o sustenta. Por fim, a estrofe da morte, composta no fim de sua vida. Que admirável! A terrível morte é chamada de “irmã”. Afinal, será ela quem levará nosso São Francisco aos braços do Pai. Vemos que em tudo, se fez a experiência de Deus, deixando-se envolver totalmente por Seu amor.

Neste sentido, celebrar também a morte de São Francisco é recordar a história de alguém como nós, de carne e osso, pecador, cheio de limitações, mas que se permitiu ser amado por Deus em todas as situações da vida. Mais ainda, de um homem que aprendeu a ver que o Senhor se faz presente entre nós em todos os momentos. Viu que as tribulações não necessariamente nos afastam de Deus. De fato, “nada nos pode separar do amor de Deus” (Cf. Rm 8,31-39). Há uma prova viva disso: Francisco de Assis!

Querido leitor, querida leitora, a grande tentação da vida é pensar que estamos abandonados por Deus, sobretudo quando sofremos. Nada há de mais falso! O que mais repetimos na Missa é: “Ele está no meio de nós”. O Seráfico Pai percebeu isso claramente ao contemplar o Presépio (Gréccio), a Cruz (Paixão de Jesus e Estigmas) e a Eucaristia. Que celebrar estes centenários tenham sido e ainda sejam para nós a certeza de que o Deus amoroso nunca abandona quem Nele confia. E de que uma vida doada por amor, torna-se verdadeiramente frutuosa. Assim foi a vida de nosso querido São Francisco de Assis. Que ele rogue por nós, para que, em nossas tribulações, saibamos fazer a experiência de Deus e a manter o nosso “sim” ao Senhor até o findar de nossa existência nesse mundo. Amém!

Fr. Antônio Felipe de Oliveira Zago, OFMConv.

One Comment

  1. Floriano Benedito Bueno

    Excelente texto do Frei Antonio Felipe de Oliveira Zago. Faz-nos refletir nossa vida e, principalmente como franciscanos, e em momentos, ter a certeza de quanto nos falta para sermos verdadeiros seguidores do Seráfico Pai. Grato caro Frei Antoniko pela belíssima reflexão que nos presenteou. Grande e fraterno abraço, Paz e Bem!!!

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