São Francisco de Assis e o antídoto contra a solidão digital
Gostaria de iniciar este texto com duas perguntas: Quantas horas por dia passamos olhando para uma tela? E quantos minutos passamos olhando nos olhos de alguém? Hoje, estamos no mundo digital, estamos rodeados de telas, muitas vezes, nem percebemos a presença delas: celulares, televisão, computador, redes sociais, mensagens e streamings.
Nunca foi tão fácil falar ou encontrar com alguém, porém, mesmo estando conectados, nem sempre estamos próximos. Isto acontece, pois muitas vezes confundimos a conexão com a presença. As telas facilitam a comunicação, mas nem sempre geram encontro verdadeiro. O encontro exige tempo, atenção, escuta e, sobretudo, disponibilidade do coração.
Neste Ano Santo Franciscano, a figura de São Francisco de Assis se destaca e quando meditamos sobre a sua vida, percebemos que ela foi construída a partir de encontro concretos: a fraternidade com todas as criaturas, a convivência com os pobres, a união de irmãos e principalmente o encontro com o leproso. Em toda a sua juventude, Francisco tira um certo menosprezo com os leprosos, que eram profundamente marginalizados em sua época. Evitava-os e sentia repulsa diante deles. Porém, quando decide aproximar-se de um leproso e abraçá-lo, algo muda profundamente em seu coração, ao ponto de afirmar em seu Testamento: “aquilo que me parecia amargo, converteu-se em doçura da alma e do corpo” (T1).
Quando Francisco supera essa barreira interior e escolhe amar, algo muda dentro dele. Aquilo que parecia pesado e desagradável passa a ser vivido como encontro com Deus e com o próximo. Ele toca as feridas do mundo e encontra Deus nas pessoas, nos pobres e na Criação.
O Papa Francisco costuma falar muito sobre a “cultura do encontro”, um estilo de vida que revela os valores do Reino: fraternidade, presença, escuta e cuidado. Em um mundo marcado pela pressa e pela superficialidade das relações, somos convidados a redescobrir a beleza de estar verdadeiramente com o outro. A ideia não é demonizar a tecnologia, mas provocar reflexão, com pequenas ações, já podemos fazer a diferença: desligar o celular durante uma conversa ou na refeição, prestar atenção real em quem está ao lado, valorizar encontros simples, sair para ver a Criação.
Talvez o primeiro passo para viver como Francisco hoje seja levantar os olhos da tela e olhar para quem está ao nosso lado. Porque muitas vezes é ali que Deus está esperando.
Paz e bem!