Iniciada em fevereiro de 2026, a guerra dos Estados Unidos da América (em aliança com Israel) e Irã já deixou milhares de pessoas mortas no conflito no Oriente Médio, de acordo com divulgação das autoridades regionais. Por trás da retórica diplomática (ou não diplomática), o que se observa é uma disputa geopolítica centrada no controle das reservas energéticas de petróleo, reafirmando como a dependência de combustíveis fósseis continua a ser o principal motor de instabilidade e tragédia humana na região.
Mais do que um conflito regional, essa guerra expõe a urgência de uma transição energética global. A saída da corrida pelo petróleo não beneficiaria apenas o clima, mas removeria o alicerce de inúmeras tensões geopolíticas. Se a conservação do planeta não é prioridade para a economia de mercado e nações, que a busca pela estabilidade e pela paz direcione os investimentos para fontes alternativas, pondo fim ao ciclo de violência alimentado pela dependência fóssil.
Se o colapso climático não foi suficiente para frear a ganância das potências, que o custo humano desta guerra seja o ponto de ruptura. Precisamos admitir que a paz mundial é incompatível com a atual matriz energética predominante.
A implementação dessa transição está longe de ser simples. É inevitável pensar nas complexidades dessas estruturas geopolíticas, combinadas com a crise climática e humanitária, sem deixar de sentir uma tristeza profunda. A esperança fica onde em tempos de guerra?
A esperança não reside na ingenuidade de achar que o mundo mudará amanhã, mas na resistência de quem se recusa a aceitar a violência como o destino inevitável da humanidade. Sinais de esperança surgem quando a sociedade civil e novas lideranças passam a exigir que a vida — e não o lucro fóssil — seja a métrica do progresso.
Em meio ao cinismo das armas, escolho acreditar em um mundo habitado por mais ‘Franciscos’: homens e mulheres capazes de abandonar a lógica da guerra e da violência para anunciar a Paz de Cristo. Que a vitória da vida sobre a morte, celebrada na Ressurreição, seja o sustento da nossa esperança, permitindo-nos caminhar entre as contradições e injustiças deste tempo presente como portadores da ‘paz e do bem’.
Que a nossa bússola nesse caminho seja a promessa contida na carta aos Romanos (5:3-5): “A tribulação produz a paciência, a paciência prova a fidelidade e a fidelidade, comprovada, produz a esperança. E a esperança não engana. Porque o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado”.