Francisco Jovem: Jovens com Raízes

Existe um documento muito importante da Igreja Católica, escrito pelo Papa Francisco, no qual ele reflete sobre a juventude: a Exortação Apostólica Christus Vivit. Hoje, iremos falar sobre um capítulo desse documento: “Jovens com raízes”.

“Já me aconteceu ver árvores jovens, belas, que elevavam seus ramos sempre mais alto para o céu; pareciam uma canção de esperança. Mais tarde, depois de uma tempestade, encontrei-as caídas, sem vida. Estenderam os seus ramos sem se enraizar bem na terra e, por terem poucas raízes, sucumbiram aos assaltos da natureza. Por isso, custa-me ver que alguns propõem aos jovens construir um futuro sem raízes, como se o mundo começasse agora. Com efeito, é impossível uma pessoa crescer, se não possui raízes fortes que a ajudem a estar firme de pé e agarrada à terra. É fácil extraviar-se quando não temos onde nos agarrar, onde nos firmar” (CV 179).

O Papa Francisco fala da importância de sermos pessoas conscientes e responsáveis por nossas ações e por tudo que nos rodeia. No mundo atual, marcado pela pressa, pela superficialidade e pela constante mudança, falar de raízes pode soar quase estranho. No entanto, talvez seja exatamente disso que a juventude mais precise hoje.

O Papa aponta o perigo do falso culto da juventude e da aparência, onde tudo parece bonito e perfeito nas redes sociais, mas, na realidade da vida, nem sempre encontramos essas “perfeições”. É aqui que entendemos a importância de ser um “jovem com raízes”.

Ser jovem com raízes é traçar um caminho “feito de liberdade, entusiasmo, criatividade, horizontes novos, mas cultivando ao mesmo tempo as raízes que nutrem e sustentam” (CV 184). Significa reconhecer a própria história, valorizar a família, escutar os mais velhos e se enraizar em Deus.

São Francisco de Assis nos ajuda a compreender isso de forma concreta. Ele viveu em um tempo de mudanças e crises, mas encontrou firmeza ao se desapegar do supérfluo e se enraizar no essencial. Foi ousado ao ponto de beijar um leproso e ao começar a esmolar nas ruas de Assis. Francisco entendeu que a verdadeira força não está no poder ou na aparência, mas na autenticidade de quem sabe em quem está alicerçado.

Frei Gustavo Jonas, OFMConv

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