O Fim da Era dos Fósseis começa em Santa Marta
Seguindo a missão de comunicar sobre o avanço global da agenda climática, escrevo sobre a Primeira Conferência Internacional para a Transição para Longe dos Combustíveis Fósseis, realizada entre os dias 24 e 29 de abril de 2026, em Santa Marta, na Colômbia.
Dando continuidade ao impulso gerado na COP30 em Belém — onde o convite para este encontro foi oficialmente anunciado —, a Conferência de Santa Marta funcionou como um espaço estratégico de convergência para acelerar as metas climáticas. No entanto, diferente das COPs, que precisam entrar em consenso entre todas as nações para validar qualquer decisão (o que muitas vezes resulta em textos mais genéricos), esta conferência tem um caráter voluntário e de coalizão.
Isso permitiu que um grupo de países pioneiros e com maior ambição climática focasse na implementação prática e em acordos diretos. Sem a necessidade de aprovação universal, o encontro em Santa Marta serviu para que essas nações desenhassem roteiros técnicos e financeiros específicos para o fim dos combustíveis fósseis e do desmatamento, servindo como um “laboratório de ações” que podem, futuramente, influenciar o debate global de forma mais assertiva.
Abaixo, destaco alguns dos resultados desse encontro:
O Fim da Era dos Fósseis: O grande diferencial de Santa Marta foi o foco na implementação. Se em Dubai (COP28) o mundo concordou que era preciso transitar para longe dos fósseis, em Santa Marta discutiu-se a rota técnica e financeira para isso. Um dos resultados foi o compromisso de 57 países para acelerar a eliminação de combustíveis fósseis e criar Roteiros Nacionais de Transição Energética Justa, que funcionam como planos de ação detalhados para a desativação programada de infraestruturas de carvão, petróleo e gás. Diferente das metas mais genéricas de emissões, a ideia é que esses roteiros especifiquem os mecanismos de financiamento necessários para a mudança das fontes de energia, estabeleçam prazos rígidos para o fim de novos licenciamentos de fontes de energia poluentes e integrem soluções baseadas na natureza para mitigar impactos ambientais remanescentes, além de priorizar uma transição justa.
Desmatamento: A conferência tratou a preservação das florestas não apenas como uma questão ambiental, mas como um pilar econômico da transição. Houve a valorização da Floresta em Pé e Viva, de forma a garantir que uma floresta preservada gere mais valor econômico do que se fosse derrubada para pecuária ou soja, investindo em governança florestal e rastreabilidade de produtos. Como exemplo prático, pode-se citar que o IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia) propôs a criação de fundos (estimados em até US$ 20 bilhões) para compensar estados e municípios que optarem por não explorar petróleo em áreas sensíveis, como a Margem Equatorial, direcionando esses recursos para a conservação e bioeconomia.
Justiça Climática e Financiamento: Um dos pontos mais sensíveis foi o reconhecimento de que os países do Sul Global precisam de apoio financeiro que não gere mais dívida. Além disso, lideranças indígenas e movimentos sociais lançaram a “Declaração dos Povos para uma Transição Rápida e Justa”, exigindo que as comunidades locais sejam protagonistas e beneficiárias diretas da nova infraestrutura de energia renovável.
Conferência de Santa Marta não foi um evento isolado, mas o início de um processo. A segunda conferência foi anunciada e acontecerá em 2027, a ser coorganizada por Tuvalu (na Oceania) e Irlanda. Foi reafirmada a meta 2030 de triplicar a capacidade de energia renovável e zerar o desmatamento até o fim da década como a única via para manter o aquecimento global dentro do limite de 1,5°C. Santa Marta provou que ainda existe uma coalizão crescente de países disposta a puxar o freio de emergência, e isso nos dá esperança de que há mais futuro do que passado.
* Nota de transparência: Este texto utilizou inteligência artificial como suporte editorial para garantir a correção gramatical e a fluidez das ideias apresentadas.