“Não devemos perder a capacidade de escuta” (FT 48)
Ser jovem hoje é viver a descoberta, o sonho e as relações que deixam marcas para a vida inteira. Em uma geração marcada pela internet e pela diversidade de pensamentos, criar laços verdadeiros fortalece o ser humano, as comunidades, inspira mudanças e mostra que ninguém cresce sozinho. Neste sentido, precisamos promover uma cultura baseada no encontro sincero, no diálogo e na fraternidade. E é exatamente essa a proposta do Papa Francisco ao escrever a encíclica Fratelli Tutti.
A encíclica Fratelli Tutti é um documento publicado pelo Papa Francisco em 2020. O título significa “Todos Irmãos”, expressão inspirada em São Francisco de Assis. O documento fala sobre fraternidade, amizade social e a necessidade de construir um mundo mais humano e solidário. Ao mesmo tempo que reflete sobre as crises sociais, as desigualdades, a violência, a polarização política e o individualismo. Mas, o que isso tem a ver com o jovem de hoje?
Para os jovens, essa mensagem possui grande importância. Neste momento histórico marcado pela hiperconexão digital, muitas vezes pode-se ter milhares de seguidores nas redes sociais, mas poucos vínculos verdadeiros e reais. A amizade social proposta por Francisco vai além das curtidas e comentários: ela exige escuta, empatia e compromisso com o próximo. A amizade social nasce quando aprendemos a enxergar o outro com respeito, empatia e solidariedade.
Parece que o mundo de hoje é surdo, não sabe sentar para escutar o outro, quando estamos no meio de um diálogo, já queremos interromper e replicar quando o outro ainda não acabou de falar. Isto é reflexo do individualismo exacerbado que vivemos, quando as pessoas vivem apenas para si mesmas, aumentam a exclusão, a pobreza e a indiferença.
O Papa recorda que São Francisco de Assis, foi um mestre da escuta: “escutou a voz de Deus, escutou a voz dos pobres, escutou a voz do enfermo, escutou a voz da natureza. E transformou tudo isso num estilo de vida. Desejo que a semente de São Francisco cresça em tantos corações” (FT 48). Inspirados pelo exemplo do Poverello de Assis e pelos ensinamentos de Papa Francisco, os jovens podem construir pontes em vez de muros, promovendo uma cultura do encontro que devolva ao mundo a capacidade de ouvir, dialogar e amar.