Juventude e o Compromisso Político

Estamos as portas das eleições e falar de política entre os jovens nem sempre é fácil. A palavra muitas vezes vem acompanhada de polarizações, fakenews, brigas nas redes sociais e desilusões. Muitos preferem manter distância, como se a política não tivesse relação com a fé. Mas será que podemos, como cristãos, simplesmente ignorar a realidade ao nosso redor?

Recordemos o que o próprio Jesus Cristo, segundo o Evangelho de São João, afirma: “Eu vim para que tenham vida e a tenham em plenitude” (Jo 10,10). Aqui entendemos que o anuncio de Cristo, o anuncio do seu Evangelho, permeia a vida humana em todas as suas realidades, inclusive a esfera social e política.

O Papa Francisco, na sua primeira exortação apostólica Evangelii Gaudium, recorda que “a política, tão denegrida, é uma sublime vocação, é uma das formas mais preciosas da caridade, porque busca o bem comum” (EG 205). Por isso, o cristão não pode ser indiferente. Participar da vida pública também pode ser uma expressão concreta de caridade, especialmente quando colocamos no centro a dignidade da pessoa humana e o serviço ao próximo, principalmente os mais vulneráveis.

Em tempos de eleições, essa responsabilidade se torna ainda maior. O voto não deve ser apenas uma escolha emocional, nem uma torcida por candidatos, deve ser um voto consciente e responsável. É por isso, que precisamos conhecer as propostas, trajetórias e compromissos de cada candidato.

Todos os batizados e batizadas, principalmente os jovens, dentro de um projeto maior da Igreja, conhecido como Doutrina Social da Igreja, tem muito a oferecer para a sociedade, lutando pelos direitos e pelo bem comum nas políticas públicas. A esperança cristã não está em um projeto eleitoral, mas em Cristo e justamente por isso, podemos participar da política com liberdade, reconhecendo acertos e criticando erros, independentemente de quem esteja no poder.

Tal compromisso, vai além das eleições, pois elas passam, mas a responsabilidade permanece. Depois de votar, ainda precisamos continuar atentos e comprometidos com o bem comum. Podemos acompanhar o trabalho dos eleitos, fiscalizar, participar de iniciativas sociais, estudar os problemas do país e, quando houver vocação, também colocar seus dons a serviço da vida pública.

E você? Já ouviu falar da Doutrina Social da Igreja? Como tem se preparado para exercer seu voto de maneira consciente e responsável? Talvez este seja o momento de voltarmos a olhar para a política não como um campo de disputa, mas como uma oportunidade de serviço. Afinal, se Cristo veio para que todos tenham vida em abundância, também somos chamados a colaborar para que essa vida seja respeitada e promovida em nossa sociedade.

Frei Gustavo Jonas, OFMConv

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