Como bem sabemos, toda vocação nasce de um chamado de Deus, que no seu infinito amor pela humanidade convida homens e mulheres a estarem com Ele neste projeto instaurado por Jesus Cristo no seu Reino de Deus. Mas surge então uma pergunta fundamental: como escutar este chamado?
Para respondermos esta pergunta temos um processo importante de escolhas e de escuta, que dentro do ambiente da Igreja chamamos de discernimento. Discernir é aprender a reconhecer, entre tantas possibilidades, os caminhos que conduzem a vida e a realização da vontade de Deus. Antes de tudo o discernimento é escolha, o que me leva a escolher esta opção e não a outra.
Se pararmos para pensar, usamos o discernimento todos os momentos da nossa vida e no nosso dia-a-dia e nem sempre percebemos isso, pois as escolhas constituem uma parte essencial da vida. Nós escolhermos uma comida que queremos no almoço, escolhermos uma roupa, um percurso de estudos, um emprego… Nossa vida é feita de escolhas, sendo algumas simples, outras sendo mais exigentes e profundas.
Se entendermos que a vocação é o que constitui uma vida e uma missão, percebemos que é uma das escolhas mais importantes que podemos fazer, por isso, esta decisão deve ser feita com cautela, respeito, meditação e com muito tempo.
Nas Sagradas Escrituras, principalmente nos Evangelhos, Jesus Cristo fala muito do discernimento, sempre usando imagens tiradas da vida comum. Vemos por exemplo, quando descreve os pescadores que selecionam os peixes bons e descartam os maus; ou o comerciante que sabe identificar, entre muitas pérolas, a de maior valor; ou lembremos, talvez esta seja a mais bonita entre todas, daquela pessoa que encontrou um tesouro escondido no campo: “O Reino dos Céus é como um tesouro escondido num campo. Um homem o encontra e o mantém escondido. Cheio de alegria, ele vai, vende tudo o que possui e compra aquele campo” (cf. Mt 13,44).
O homem vende tudo porque entende que o espera depois é bem maior do que se tem hoje. Ele não foi enganado, pressionado ou obrigado, ele simplesmente encontrou algo tão valioso que tudo que tinha não lhe faz mais sentido. Primeiro ele encontra, reconhece o valor e finalmente decide. É significativo que Jesus associe a descoberta do tesouro à alegria.